Existem definições para quase tudo. Para objetos, para seres vivos, sentimentos, para tudo o que se conhece e também para o que não se conhece. Sabe-se nomear o espaço e sabe-se nomear o tempo.

Mas as palavras são só palavras e para existirem precisam de alguém que as diga. Alguém que as percepcione, que as projete, alguém que as receba, e que reflita parte de si naquilo que recebe. Precisam de um momento e de alguém que lhes dê sentido.

A instalação audiovisual ad infinitum foca-se na experiência, num momento definido no interior de quem o vive. Além de todo o conjunto espaçotemporal que o forma, este momento é volátil a uma infinidade de características inerentes ao próprio indivíduo, podendo ser alvo de interpretações diferentes.

Um ser humano compõe-se por um conjunto infindável de memórias, sentimentos, atitudes, ideais, que inevitavelmente se reflete na perceção de um momento. Haverá, então, tantas interpretações quanto espectadores para uma mesma situação e cada um a «deformará» à sua própria imagem. As hipóteses são incontáveis, estendem-se até ao infinito.